| Rezar é respirar Deus, é elevar e derramar
o coração a seus pés. De joelhos, em
oração, somos maiores do que de pé. A
Bíblia é uma grande oração. A
vida de Jesus, também. Quem tem fé reza. Não
é importante rezar muitas vezes. Essencial é
rezar sempre, intensamente.
"Nada sou, meu Deus, mas pertenço a ti!",
assim rezava Santo Agostinho.
"Quem sois vós, Senhor, e quem sou eu?",
perguntava-se São Francisco de Assis. E rezava: "Vós
sois o Senhor do céu e da terra, e eu, um miserável
vermezinho, vosso ínfimo servo".
Jesus, que se retirava para o ermo para rezar, terminou
sua vida com uma oração cheia de fé:
"Está bem, está tudo consumado. Pai, em
tuas mãos entrego meu espírito".
E José, o lixeiro Zé da Silva, passava, todos
os dias, uma hora diante do sacrário, sem dizer nada.
Perguntado o que fazia ali, respondeu com desarmada singeleza:
"Nada. Apenas olho para Jesus e Jesus olha para mim".
Rezar! Há muitas formas de fazê-lo. Nem a Bíblia
nem Jesus deram definição ou explicações
a respeito da oração. Simplesmente rezaram.
Nossos pais, com quem aprendemos a rezar, também
foram pessoas de oração. Rezar, para eles, era
simplesmente uma necessidade de fé que sentiam.
A oração é sempre graça, e feliz
quem tem a graça de rezar! Esta graça pode ser
alegre ou penosa. Quando verdadeira, procura o rosto invisível
de Deus e se esforça por entender os rostos visíveis
dos irmãos e os acontecimentos da vida.
É preciso dobrar os joelhos do corpo e os da alma
para rezar. Na oração, Deus e a vida são
pólos que se atraem e se fundem, numa ação
na qual o orante abraça a Deus e ao próximo
com todo o coração e com todo o ser.
Deus é sempre o centro, o sentido absoluto da graça
de viver e de rezar, enquanto os irmãos e todas as
criaturas, a justiça e a luta pelo bem são a
batida do coração que reza.
Rezemos! A oração é vital para a vida
interior. Nas alegrias, agradecendo; nos sofrimentos, suplicando;
no pecado, pedindo perdão. Derramemos o coração
aos pés de Deus, na busca de seus olhos divinos. Poderemos
estar encontrando neles a pessoa dos irmãos, que a
pressa e as preocupações da vida nos impedem
de ver mais claramente, no dia a dia de nossos correrias e
desejos.
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