JESUS - Porque o crucificaram?
Em teus braços, ó Mãe das
Dores, jaz Cristo morto.
Seus olhos já não têm mais luz.
Perderam o brilho.
Teu coração chora as lágrimas
que seus olhos já não podem chorar.
Se não sentes o peso de seu corpo,
é porque a morte não tem peso: só
dor e sofrimento.
Diante dela, só nos sobra o vazio da tristeza,
a saudade que dói
e a cruel pergunta que não tem resposta:
Por quê?
Por que crucificaram Jesus?
Gostaríamos tanto, Senhora das Dores,
de poder abraçar teu Filho Jesus, como tu
o fazes,
para confessar-lhe nosso amor e chorar nosso espanto
e tristeza.
Por que crucificaram Jesus, Santíssima Mãe?
Não passara ele entre os homens só
fazendo o bem?
Não abrira os olhos dos cegos, não
curara o leproso,
não expulsara os espíritos malignos
e não fizera saltar, de alegria, o coxo?
Por que, então, O crucificaram?
Não perdoara a pecadora pública, impedindo
que a apedrejassem?
Não prometera o céu às prostitutas
e aos publicanos?
Não abençoara as crianças e
não curara o homem da mão seca?
Por que, então, O crucificaram?
Não era ele o mais santo dos homens,
o mais pobre dos pobres,
não quis somente fazer a vontade de Deus?
Não pregara ele a misericórdia e o
perdão,
não ensinara que a felicidade é fruto
do serviço,
lavando os pés de seus discípulos
e repartindo o pão com o povo esfaimado?
Por que, então, o crucificaram?
Por que jaz Ele, agora, morto em teus braços?
Meus queridos filhos:
Os desígnios de Deus são misteriosos
e incompreensíveis,
mas não são nem injustos nem cruéis.
Sua vontade é santa e cheia de graça,
mesmo quando entramos pelos caminhos da morte e
da dor.
Podemos nos perguntar "por quê"
para entendê-lo,
mas sem duvidar de sua bondade para não desesperar.
Sua mão é onipotente e seu coração
está aberto,
como o coração de meu Filho.
Cuida das mais pequeninas flores do campo
e do canto dos passarinhos.
Corre atrás da ovelha tresmalhada
e procura a moedinha perdida.
Consola a mãe aflita
e devolve alegria aos que o invocam na dor.
Lembrem-se de que seu sol continua brilhando,
mesmo quando os horizontes se tornam carregados,
para os que têm fé e confiam em sua
providência.
Senhora santa, Santíssima Mãe das
Dores,
ajuda nossa fé e acalma nossa revolta.
Toca nosso coração e releva nossa
desilusão.
Jesus era a esperança dos pobres.
Viera proclamar um ano da graça e nunca fizera
mal a ninguém.
Percorrera, sem ter uma pedra onde pudesse reclinar
sua cabeça,
os caminhos de sua terra,
fazendo milagres e semeando bem-aventuranças.
Anunciara o Evangelho do Reino
e convidara os marginalizados e excluídos
da sociedade
para a mesa do banquete dos eleitos.
Por que, então, foi rejeitado, perseguido
e preso?
Por que o colocaram na lista dos malfeitores
e o silenciaram com três pregos?
Por que seus amigos o abandonaram, negaram e traíram?
Por que teve que suar sangue
e por que seu coração foi rasgado
por uma lança?
Por que gritou de desespero na cruz
e, agora, jaz, de olhos fechados, sem brilho,
no teu colo de mãe, machucando de dor teu
coração
e enchendo de saudades tua alma que vivia encantada
por ele?
Por quê? Por que tanto sofrimento?
Por que não és só a nossa Senhora
da Glória,
a Virgem Imaculada, a Rainha Assunta ao céu?
Por que não és só a destinada
para ficar junto ao trono de Deus,
a medianeira de todas as graças, a mãe
da divina misericórdia?
Por que és a PIETÀ, a Virgem dolorosa,
Nossa Senhora das Dores?
Por quê?
Meus queridos filhos:
Não perguntem tanto.
Creiam mais. Confiem mais em Deus.
Olhem menos para o mal. Olhem mais para Ele.
Só ele tem todas as respostas para seus cruéis
por quês.
Jesus tinha que morrer para fazer a vontade do Pai.
Morreu para rasgar, com sua cruz,
o documento que fora lavrado contra a humanidade.
Foi crucificado para salvar e garantir o perdão
para todos os pecados dos homens.
Com sua morte abriu o céu
e restituiu aos que nele acreditam a veste nupcial
para a festa.
Morreu, mas não morreu para sempre.
Conheceu o desespero para devolver-nos a esperança
na vida.
Silenciaram sua voz para fortalecer nosso grito
de fé.
Aceitou a cruz e não fugiu do calvário
para dar credibilidade ao Tabor.
Abriu seus braços para que ninguém
feche os seus aos outros.
Jaz, agora, em meus braços, morto, mas em
paz,
para que ninguém mate seu semelhante,
mas seja um instrumento de paz e uma fonte de salvação.
Por isto, foi só por isto que meu Filho foi
crucificado.
Morreu para que ninguém acredite que a morte
é o fim.
Sua história, aliás, não teve
um fim, mas caminhou para a Páscoa.
Esta Páscoa é a resposta divina a
todos os por quês humanos.
Santíssima e querida Mãe, ó
nossa Senhora das Dores:
nossas perguntas nos cansaram,
tuas respostas nos devolveram a paz ao coração.
Falamos, revoltados, como tolos,
sem entender que os caminhos de Deus são
sempre graça e bênção,
mesmo quando passam pelo vale das sombras
e colocam um filho morto nos braços de sua
mãe,
criando a piedosa imagem da PIETÀ.
Perdão e obrigado. Desculpas e não
nos leve a mal.
Aumenta em nós a fé nos desígnios
de Deus.
Confessamos que não mais queremos apenas
entendê-los.
Desejamos antes obedecer-lhe como o fez Jesus.
A ele queremos seguir na dor e na alegria,
no poder dos milagres e na loucura de amor da cruz.
Aceitamos, na fé, abraçar nossas cruzes
e oferecer aos irmãos a nossa vida.
Mas queremos também estar a teu lado,
para que não te sintas sozinha neste momento
de dor.
Oferecemos a nosso Pai do céu
tua soledade de Senhora das Dores,
de PIETÀ com Cristo e Mãe de todos
os sofredores.
Seremos sempre adoradores do corpo santo de nosso
Salvador,
cantores felizes de sua Ressurreição
e presença amiga junto a todas as pietàs
de nossas sociedades.
Amém.
Rio de Janeiro, 15 de abril de 2011.
Frei Neylor J. Tonin, franciscano, irmão menor e pecador
Publicado em :15.04.2011 - 13:43
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