Querido Pai do céu, ó Deus grande e bom: quero, hoje, rezar
por minha família e colocar em tuas mãos os corações
feridos de meus pais e irmãos. Vê: nossos olhos estão
cheios de lágrimas e uma esponja de vinagre amarga nossa boca.
Sei que tudo podes e não abandonas a quem amas.
Olha por nós e consola nosso coração.
Os conflitos nos deixam a todos tristes e arrasados. Vivemos como se fôssemos
estranhos uns aos outros, distanciados por um mar de mesquinharias. Os
motivos das brigas são tão insignificantes, enquanto as
mágoas parecem ser tão profundas. Um já não
conversa com o outro, nem parece que somos irmãos. Nossos pais
estão sofrendo tristes e resignados, porque vêem que ninguém
tem a coragem do primeiro passo para a reconciliação.
Tu sabes que fomos uma família unida e maravilhosa. Hoje, já
não existe mais Natal que reuna a todos, nem aniversário,
nem doença, nem sobrinhos, nem afilhados. Assemelhamo-nos a um
rebanho disperso, com saudades do antigo canto dos pastores.
Toca, te pedimos, ó Senhor, nossos corações
e abranda nossos desentendimentos.
Escuta nossa prece.
Te oferecemos nosso sofrimento.
Que ele tenha a força para resgatar o passado
para que possamos louvar-te juntos
e ser a alegria nossos velhos pais.
Com o coração partido, suplicamos tua bênção
para as pessoas que se sentem ofendidas.
Meus irmãos não são maus, sentem-se apenas fracos
e estão melindrados. Mas, no fundo do coração, todos
estão arrependidos e desejosos de se reencontrar. Ajuda-nos, te
pedimos, apontando-nos o caminho da paz e do amor.
Todos entendemos que a oração é importante e, por
isto, te rezamos. Mas, sozinha, ela não é suficiente. Inspira-nos
também a coragem e a humildade de voltar aos velhos e bons tempos.
Precisamos perdoar e aceitar o perdão, para quebrar o gelo e aproximar-nos
desarmados uns dos outros, sem acusações, sem cobranças,
sem medos, prontos para o reencontro e o perdão.
Sonhamos sentar-nos em torno da mesma mesa para comer o pão da
concórdia e beber o leite da alegria, assim como nossos pais nos
ensinaram quando éramos pequenos.
Querido Pai do céu,
ó Deus grande e cheio de bondade:
nada desejamos mais do que reconciliar-nos uns com os outros.
Se queres, podes ajudar-nos. Em Jesus, curaste os leprosos, enquanto nos
sentimos de coração manchado. Abriste os olhos aos cegos,
enquanto não experimentamos mais o sol da alegria. Fizeste saltar
os coxos, enquanto estamos paralisados, cheios de ressentimentos. Ressuscitaste
até os mortos, enquanto sentimos a morte lenta de nossa família.
De todo o coração, te suplicamos:
Abençoa, ó Pai querido, nossa família.
Reconduze-a pelo caminho do amor e do entendimento.
Dá-nos a graça do abraço da reconciliação,
para que possamos louvar-te de coração leve
e experimentar tua proteção na dor e na alegria
e, principalmente, na festa do reencontro e do perdão.
Amém.
|