Sou uma simples panela, velha e sem luxo, de alumínio pobre e pouco
brilho. Ninguém me olha, não tenho admiradores, apenas me
usam quando precisam de mim. Depois me largam pro lado, vivo sempre meio
escondida, como se os donos tivessem vergonha de mim. Nunca vou à
mesa, sou apenas uma intermediária: me usam para fazer comida que
travessas reluzentes levam para os aplausos dos comensais.
Assim é minha vida: não tem brilho, não apresenta
luxo, apenas serve para ser usada. Os aplausos são para os outros.
Mas não nego, mesmo quando esquecida, que me sinto útil
e que já fiz muita comida boa para muita gente chique. Mesmo assim,
não reclamo de nada, não invejo a ninguém, nem desejo
despertar admiração e encantamentos. Apenas agradeço
a Deus a graça de ser uma simples panela que faz boa comida para
o exigente paladar de uma estranha e, quase sempre, ingrata clientela.
Em louvor de Cristo. Amém.
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