Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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53. Em louvor de São José


Alguns caminhos, ó querido Deus, nos parecem tão tortos que dificilmente deixam transparecer o esplendor de uma bela história ou, até mesmo, uma boa e singela razão para sua mera existência. Perdoa-nos os exemplos que são dolorosos, mas não exclusivos. A vida é mais rica e mais pobre de quanto podemos citá-la ou circunscrevê-la.

Quanta comiseração nos despertam criancinhas que ou nascem fisicamente defeituosas ou de pais e mães que as abandonam sem condições materiais para educá-las! Crescem como filhos-de-ninguém, sendo mal-tratadas como gente desqualificada. Quanta indignação nos causa ver pessoas que vivem encurraladas por circunstâncias cruéis e sem saída, agredidas em sua dignidade e ofendidas por uma pobreza aviltante e desumana! Que insuportável revolta nos domina os despautérios de tiranos ambiciosos e sanguinários que desgraçam pessoas e nações! Quantos gritos surdos de sofrimento sem resposta! Quantos desesperos sem saída e quantas maldades sem castigo! Há todo um mundo de lágrimas e impotência, de gente explorada e sofrida, de irmãos sem graça e sem futuro.

Muitas vezes, ó querido Deus, a vida tem uma cara que nos espanta e assusta. Em muitos momentos, ela nos parece essencialmente torta. Diante dela, naturalmente nos perguntamos por quê. Por que existem pessoas assim e tais situações? Por que há pessoas que sofrem e outras que fazem sofrer, por que há irmãos nossos que nunca chegarão a uma plenitude humana desejável e por que há outros que nem permitirão que seus semelhantes se desenvolvam e conheçam a alegria de viver e os sonhos de uma possível felicidade? Por que a vida tem que ser, para muitos, tão torta?

Longe de nós compararmos a vida de São José com qualquer um destes exemplos, mas poucas pessoas terão tido caminhos tão tortos quanto aquele que foi escolhido para ser o esposo da Virgem Maria e o pai adotivo de nosso querido salvador, Jesus Cristo.

Queremos, por isto, louvá-lo, porque, apesar de tudo, mereceu os melhores superlativos da piedade cristã. Foi chamado de "justíssimo", "castíssimo", "prudentíssimo", "fortíssimo", "obedientíssimo" e "fidelíssimo". Foi, além disso, "zeloso defensor de Cristo", "chefe da Sagrada Família", "luz dos patriarcas", "amparo das famílias" e "glória da vida doméstica". A piedade ainda o invoca como "consolador dos aflitos", "esperança dos enfermos", protetor da santa Igreja", padroeiro dos moribundos" e "terror dos demônios".

Sua vida, no entanto, esteve envolta, materialmente, por um grande silêncio. Nenhuma palavra sua foi registrada por nenhum escritor sagrado. Sobraram-nos dele apenas alguns sentimentos, a nobreza de seu caráter e a fidelidade de uma vida que se engrandeceu à sombra de Maria e do Espírito Santo e à luz de seu filho Jesus. Nunca cobrou nada nem nunca fez exigências. O destino de sua vida parece ter sido apenas o de proteger e acompanhar aqueles que seriam os protagonistas dos planos de salvação de Deus: Maria e Jesus. Quanto a ele, apenas o silêncio e os bastidores do palco.

Mas nem por isto foi menos importante sua pessoa. Grande São José! Recebe a homenagem do nosso singelo e admirado louvor! Dá-nos a graça de, como tu, amarmos o silêncio quando ele fizer parte de um desígnio maior e de preferirmos os bastidores quando o palco tiver que ser ocupado por pessoas especialmente designadas por Deus. Não queremos outra grandeza que a de sermos servos de Jesus e arautos felizes de seu Evangelho. Nem hesitaremos em fugir para o Egito se for para salvar destinados por Deus como Maria e Jesus.

Nós te louvamos e bendizemos e, contigo e por tua intercessão, queremos viver e consagrar-nos a uma sagrada família, que é a nossa, que nos é graça e presente de Deus. Que nela possamos todos ter os teus sentimentos e os de Jesus e Maria, querido e admirável santo do mundo inteiro, padroeiro dos operários, espelho da paciência, pai de Jesus e esposo da Virgem Maria. Amém.

Editora Vozes
 
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