Alguns caminhos, ó querido Deus, nos parecem tão tortos
que dificilmente deixam transparecer o esplendor de uma bela história
ou, até mesmo, uma boa e singela razão para sua mera existência.
Perdoa-nos os exemplos que são dolorosos, mas não exclusivos.
A vida é mais rica e mais pobre de quanto podemos citá-la
ou circunscrevê-la.
Quanta comiseração nos despertam criancinhas que ou nascem
fisicamente defeituosas ou de pais e mães que as abandonam sem
condições materiais para educá-las! Crescem como
filhos-de-ninguém, sendo mal-tratadas como gente desqualificada.
Quanta indignação nos causa ver pessoas que vivem encurraladas
por circunstâncias cruéis e sem saída, agredidas em
sua dignidade e ofendidas por uma pobreza aviltante e desumana! Que insuportável
revolta nos domina os despautérios de tiranos ambiciosos e sanguinários
que desgraçam pessoas e nações! Quantos gritos surdos
de sofrimento sem resposta! Quantos desesperos sem saída e quantas
maldades sem castigo! Há todo um mundo de lágrimas e impotência,
de gente explorada e sofrida, de irmãos sem graça e sem
futuro.
Muitas vezes, ó querido Deus, a vida tem uma cara que nos espanta
e assusta. Em muitos momentos, ela nos parece essencialmente torta. Diante
dela, naturalmente nos perguntamos por quê. Por que existem pessoas
assim e tais situações? Por que há pessoas que sofrem
e outras que fazem sofrer, por que há irmãos nossos que
nunca chegarão a uma plenitude humana desejável e por que
há outros que nem permitirão que seus semelhantes se desenvolvam
e conheçam a alegria de viver e os sonhos de uma possível
felicidade? Por que a vida tem que ser, para muitos, tão torta?
Longe de nós compararmos a vida de São José com qualquer
um destes exemplos, mas poucas pessoas terão tido caminhos tão
tortos quanto aquele que foi escolhido para ser o esposo da Virgem Maria
e o pai adotivo de nosso querido salvador, Jesus Cristo.
Queremos, por isto, louvá-lo, porque, apesar de tudo, mereceu os
melhores superlativos da piedade cristã. Foi chamado de "justíssimo",
"castíssimo", "prudentíssimo", "fortíssimo",
"obedientíssimo" e "fidelíssimo". Foi,
além disso, "zeloso defensor de Cristo", "chefe
da Sagrada Família", "luz dos patriarcas", "amparo
das famílias" e "glória da vida doméstica".
A piedade ainda o invoca como "consolador dos aflitos", "esperança
dos enfermos", protetor da santa Igreja", padroeiro dos moribundos"
e "terror dos demônios".
Sua vida, no entanto, esteve envolta, materialmente, por um grande silêncio.
Nenhuma palavra sua foi registrada por nenhum escritor sagrado. Sobraram-nos
dele apenas alguns sentimentos, a nobreza de seu caráter e a fidelidade
de uma vida que se engrandeceu à sombra de Maria e do Espírito
Santo e à luz de seu filho Jesus. Nunca cobrou nada nem nunca fez
exigências. O destino de sua vida parece ter sido apenas o de proteger
e acompanhar aqueles que seriam os protagonistas dos planos de salvação
de Deus: Maria e Jesus. Quanto a ele, apenas o silêncio e os bastidores
do palco.
Mas nem por isto foi menos importante sua pessoa. Grande São José!
Recebe a homenagem do nosso singelo e admirado louvor! Dá-nos a
graça de, como tu, amarmos o silêncio quando ele fizer parte
de um desígnio maior e de preferirmos os bastidores quando o palco
tiver que ser ocupado por pessoas especialmente designadas por Deus. Não
queremos outra grandeza que a de sermos servos de Jesus e arautos felizes
de seu Evangelho. Nem hesitaremos em fugir para o Egito se for para salvar
destinados por Deus como Maria e Jesus.
Nós te louvamos e bendizemos e, contigo e por tua intercessão,
queremos viver e consagrar-nos a uma sagrada família, que é
a nossa, que nos é graça e presente de Deus. Que nela possamos
todos ter os teus sentimentos e os de Jesus e Maria, querido e admirável
santo do mundo inteiro, padroeiro dos operários, espelho da paciência,
pai de Jesus e esposo da Virgem Maria. Amém. |