Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
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84. Meditação diante do leproso

Querido São Francisco de Assis,
santo poverello do Deus bom e altíssimo,
ensina-nos a graça de acolher, com alegria, a nossos irmãos leprosos.

Ajuda-nos.
Eles nos despertam pena e nós os deixamos à distância.
Seus olhos estão fundos e seu olhar não têm sol.
Mais do que sobre seus rostos,
uma capa de tristeza cobre-lhes a alma,
enquanto seus corações alongam uma súplica de compreensão.

Antes de tua conversão, enquanto vivias em pecado,
confessaste que te era "deveras insuportável" olhar para leprosos,
até que o Senhor te conduziu para o meio deles
e te deixaste tomar de misericórdia.
Antes, fugias porque estavas em pecado;
depois, abraçavas o que até então te era amargo,
experimentando insonhada "doçura da alma e do corpo".

Pai santo, nós ainda somos muito "mundanos"
e, como pecadores, preferimos companhias agradáveis
e pessoas simpáticas, festeiras, sadias e perfumadas.
O mal nos causa horror e mal-estar
e olhamos com relutância os crucificados de qualquer cruz.

Ensina-nos, te pedimos, a graça de sermos simplesmente irmãos,
sem discriminação e sem medo, com alma e coração,
de braços abertos para abraçar e alegria no olhar para bendizer.

Meus queridos irmãos e irmãs:
A vida, toda e qualquer vida, é sopro santo de Deus.
Diante do Criador, ninguém é mais, ninguém é menos.
Todos somos pequenos, só ele é grande.
Todos somos pobres, só ele é rico.
Todos somos doentes,
só nele não existe qualquer sintoma de doença e maldade.

Todos somos insignificantes, mas todos temos, ao mesmo tempo,
a nobreza dos agraciados filhos do Deus altíssimo.
Ninguém é dono de nada.
Somos tempo que passa, flor que murcha,
sopro que, hoje, respira e, amanhã, expirará.

Assim somos, assim é a natureza humana:
deserto árido com poucos oásis,
e sonhos borbulhantes de uma linda Terra Prometida.

Todas as criaturas são crísticas,
marcadas pela graça chamada Jesus.
A única desgraça definitiva é o pecado mortal.
Doenças, carências, pobrezas e todo tipo de mal:
físico, psicológico, material, espiritual e moral,
serão resgatados, um dia, pelo senhor da vida e vencedor da morte.
Ele, então, há de cobrir-nos com seu manto protetor,
fazendo-nos semelhantes aos anjos dos céus.

Lembrem-se: esta vida é apenas uma passagem,
um pedaço de tempo,
uma aventura que começa nas mãos de Deus,
se prolonga por sua graça, é sustentada por seu poder,
e terminará em seus braços de Pai, Amigo e Salvador.

Quando morrermos, não haverá mais lágrimas ou tristezas,
todos, leprosos ou não, seremos inundados de paz e alegria,
acabarão, então, todas as lepras e doenças,
seremos pessoas glorificadas, ressuscitados bem-aventurados,
novas criaturas felizes e dançantes, transfiguradas e espirituais,
segundo a imagem e com os sentimentos
de nosso Senhor, Jesus Cristo.

Não vale a pena iludir-se, por conseguinte,
com as riquezas e quimeras deste mundo,
pois enganosa é a beleza e fugaz a formosura.
Só a fortaleza e a dignidade, a sabedoria e o temor de Deus
florescerão nos caminhos e aos olhos do Senhor.
Quanto mais uma pessoa se confessar pobre e pecadora,
mais a graça de Deus a exaltará, fazendo nela sua morada.

Considerem, meus irmãos, aprendam, minhas irmãs:
Todos somos leprosos das mais diversas lepras.
Só Deus é puro, só ele é a fonte incorruptível de toda saúde.
E porque todos somos filhos de seu entranhado amor,
todos participaremos, um dia, da pureza de sua vida.

Abracemos, por isto, os leprosos e beijemo-lhes as feridas,
como Jesus, em nome do senhor da vida.

Ele, então, encherá nosso coração de alegria
e uma inesperada doçura inundará nossa alma e nosso corpo.

Foi isto que experimentei quando deixei os caminhos do pecado
e, pela graça de Deus, fui viver com os leprosos.
Não sabia que as feridas deles eram as feridas do Cristo crucificado.
E, por ter deles me aproximado,
acabei me encontrando com o Salvador dos homens.

Querido santo, poverello de Deus, arauto do Grande Rei:
Este é o caminho real da cruz de nosso Senhor, Jesus Cristo.
Este é o caminho da salvação e da páscoa.

Diante do homem das dores, que não tinha nem beleza nem formosura,
que era desprezado e foi considerado o refugo da humanidade,
mas que, no entanto, carregou nossas enfermidades
e tomou sobre si nossas dores,
juramos que nunca mais desprezaremos a qualquer irmão,
pobre ou pecador, marginalizado ou leproso.

Para eles, abriremos nossos braços,
oferecendo-lhes o calor de nossos corações.

A ti, que amaste os leprosos,
te pedimos que, ao abraçá-los, nos consigas de Deus
a grande graça de abrir nossos olhos
para a beleza sem par de Cristo Jesus,
que vive no leproso, que foi leproso, que curou todas as lepras.
Amém.


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