Frei Neylor Jose Tonin -  Psicologia e Espiritualidade
INDEXNOVO_3
Leia o Livro de Visitas Deixe aqui seu recado
contador

 



Oração do mês


Convento


Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

minha comunidade no orkut



Seu site conosco!

86. Meditação diante do milagre da vida

Grande e bom Deus, nós te confessamos como criador da vida.
Tudo - acreditamos - saiu de tuas mãos e todos te pertencem.
Nada existe que não tenha a marca de tua voz
e a pessoa humana tem, até, a batida santa de teu coração.
Queremos, por isto, agradecer-te por todo o universo.
Muito obrigado pela existência do sol e da lua,
das estrelas mais luzidias e dos vermes mais insignificantes.
Obrigado pelos seres inanimados:
as pedras, as águas, as plantas, as estrelas.
Obrigado pelos animados:
os anjos, os humanos, os animais, os demônios.
Deveríamos também agradecer-te pelos desanimados?
Quanta gente deprimida, entristecida, sem-graça, crucificada!
Quantos irmãos nossos que já não levantam os olhos para o céu!
Quantos estão pedindo a morte e morrendo aos poucos, a conta-gotas,
como se tu não fosses o criador e senhor de suas vidas!

Querido Deus, amamos a vida e te reconhecemos como seu criador,
mas não dá, simplesmente, para aceitar a vida como ela é.
Não te revoltas com os dramas que esconde,
com as tragédias que a maltratam,
com as tristezas sem solução que apresenta
e com os fermentos de morte que a tornam
pouco-divina e quase diabólica?
Como pode ser assim, tão sem graça,
algo que saiu de tuas mãos tão cheias de graças?
Se és o "grande amigo da vida",
como pode a vida ser tão contra a vida?

Meus filhos e filhas, tenho pela vida a maior paixão.
O escritor do livro da Sabedoria, inspirado por mim,
afirmou que nada detesto daquilo que criei, um dia,
que tudo subsiste porque eu o quero
e que, por isto, não condeno nem mesmo o pecador,
porque sempre o perdoarei com meu amor onipotente (11,22-26).
Isto não são apenas palavras, mas uma verdade divina e imortal.

Não importa como se apresenta,
não importa como é tratada,
a vida, para mim, será sempre uma bênção e um milagre
e, a cada manhã, eu a cubro com minha graça.
Antes que o galo cante, antes que o sol se levante,
já estou de pé para protegê-la e defendê-la, divinamente.

Na verdade, nem todos pensam e agem como eu.
Há os que se pensam ser um falso deus e a exploram,
entristecendo meus filhos e adulterando seu mistério.
Lamento muito. Este é o maior de todos os pecados,
o pecado de fazer do milagre da vida uma desgraça do inferno.
Eu mesmo me pergunto:
Por que os homens fazem da vida uma tristeza,
se eu a criei para ser alegria e felicidade?
Por que a vida não é uma festa para todos os meus filhos
se ela foi criada à imagem da festa que existe no céu,
se ela ainda guarda as saudades do paraíso inicial?

Querido e bom Deus,
as tuas perguntas são as nossas dúvidas e revoltas.
O mistério do mal nos machuca e impacienta.
Não sabemos o que fazer diante do agressor senão condená-lo.
Nossa tentação é responder com violência aos violentos.
Pessoas mais radicais gostariam, como solução, até de eliminá-los.
Eliminando um Hitler
não teríamos evitado a II Guerra Mundial?
Eliminando um Sadam Hussein
não teríamos nos livrado da Guerra do Golfo?
Eliminando ditadores
não teriam os povos preservado suas democracias?
Para onde caminha a humanidade
quando respeita os direitos pessoais de seus governantes
que não respeitam os direitos humanos das comunidades?

A grande dúvida que nos assola o espírito é esta:
por que o mal é tão forte e onipresente,
por que teu inimigo, o demônio, é tão senhor deste milagre, que é a vida,
e porque tu, ó Deus criador, ficas tão passivo diante de tanta maldade?
Às vezes, sentimos vontade de ser deus para acabar com o mal
e defender a vida contra seus agressores.
Não valeria a pena sacrificar uns poucos em favor da imensa maioria?
Enfim, quem deve ser preservado: os que amam e servem a vida
ou os que a agridem e zombam de tua ausência e aparente omissão?

Meus queridos filhos e filhas: criei a vida com amor
e só no amor ela é divina e parecida comigo.
Vejo, com tristeza, como o diabo
semeia o joio da violência e do ódio.
Mas não posso, sem negar minha natureza de amor,
avalizar os rompantes de violência que os bons,
às vezes, apresentam.
Além de ter dado às pessoas a graça do tempo para converter-se,
ainda criei meus filhos e filhas com a bênção da liberdade.
Muitos não sabem como usá-la e se tornam prepotentes.
Outros se omitem, passivamente, e só sabem lamentar-se.
Apressar a condenação de uns e outros
seria negar minha criação,
mostrando-me impaciente diante de omissões e desvarios.
Não me seria difícil mandar sobre todos um raio de minha cólera.
Mas, onde ficaria, então, o Deus da graça e do perdão,
o senhor do tempo e o redentor de todos os males e injustiças?

Quero lembrar-lhes que não só lamento as violências e o ódio,
mas que ainda, em Jesus, me sujeitei aos descalabros do mal.
Não mandei uma legião de anjos, como podia, para livrá-lo
e permiti que a humanidade perpetrasse tão grande crime
para testemunhar que sou um Deus paciente e bondoso,
sempre rico em misericórdia e pronto para o perdão.
Meu coração não ficou insensível diante de seus sofrimentos,
mas meu braço ficou recolhido para não ferir o amor e a liberdade.

E vocês, meus filhos e filhas, têm como missão e evangelho
refazer os caminhos do bem e da cidadania, da paz e da justiça.
Em suas mãos, eu confio e coloco o destino da sociedade,
para que a vida continue a ser um milagre de festa e fraternidade,
um espaço divino de respeito aos direitos humanos fundamentais.
Lutem! Não se encolham! Não aceitem passivamente o mal
nem façam da impaciência uma evasiva
contra a violência e contra os maus!

Não intervenho no milagre da vida porque este milagre são vocês.
Amo este milagre e tenho paixão por ele.
E ele só florescerá quando se fizer forte e ativo,
e quando vocês, olhando para mim,
viverem com respeito e amor, amando e defendendo a liberdade.
Se pudesse lhes dizer uma última palavra, esta seria:
Abençoem a vida, toda vida, mesmo a dos maus e dos tiranos.
Aceitem que meu sol nasça todos os dias sobre todas as criaturas
e que minha chuva fecunde todos os campos igualmente.
No fim dos tempos, todos serão julgados.
Os bons receberão a recompensa
por terem amado o milagre da vida.
Os maus serão condenados
por terem pecado contra minha criação.

Querido e bom Deus,
Senhor da vida e nosso amantíssimo Salvador:
mesmo impacientemente, te oferecemos,
na adoração, as alegrias e as dores,
os sofrimentos e as cruzes, o bem e o mal que vemos na vida.
Reconhecemos o quanto somos pequenos e o quanto és grande.
És grande e bom, paciente e misericordioso, cheio de graça e perdão!
Agradecidamente, aceitamos a beleza e a tragédia de viver.

E te prometemos que lutaremos contra os tiranos e malfeitores,
defendendo a bênção da vida e todas as tuas criaturas.
Te louvamos pelos homens e mulheres que promovem a vida,
médicos e enfermeiros que tentam salvá-la,
advogados e juízes que não a deixam sofrer injustiças,
professores e professoras que a educam,
padres e pastores que a tornam mais cheia de graça,
pais e mães que a geram e cuidam de seus filhos
e por todos que a enaltecem, engrandecem
e a fazem mais humana e divina.

Ao mesmo tempo, te pedimos, perdoa-nos quando a desrespeitamos.
Acende em nosso coração a mesma paixão que tens por ela.
E te prometemos que sempre reverenciaremos
toda e qualquer criatura, pobre ou rica, simples ou doente,
honrando assim teu santo nome,
servindo e amando o grande milagre que saiu de tuas mãos
e que chegou à sua plenitude na pessoa santíssima de Jesus,
que foi verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Amém.

Editora Vozes
 
Visite
WebMaster - Graça Oliveira
Curso de Teologia - Inscreva-se Aqui
Google