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Era uma vez um abastado comerciante árabe, que viajava com seus
escravos, numa caravana de 20 camelos. Certa noite, quando chegou a hora
de amarrar os camelos à estaca, perceberam os escravos que faltava
uma: só havia 19. Foram perguntar ao patrão como deveriam
proceder.
- Ao chegarem ao vigésimo camelo, simulai, instruiu ele aos escravos,
que estais cravando uma estaca no solo.
E explicou-lhes:
- Como o camelo é um animal estúpido, acreditará
que está sendo amarrado.
Efetivamente, assim o fizeram e foram todos dormir. Na manhã seguinte,
todos os camelos estavam em seu posto, inclusive o vigésimo, parado
junto à estaca imaginária. Quietinho, bem comportado. Desatados
para prosseguirem a viagem, todos os camelos se moveram, menos o último,
que continuava parado, como se estivesse ainda amarrado. Ordenou, então,
o comerciante:
- Simulai que estais tirando a corda da estaca, pois o imbecil se julga
amarrado.
Assim fizeram os escravos e o camelo se levantou e, obedientemente, prosseguiu
a viagem com os companheiros.
Poderíamos rezar: Dai-nos, Senhor, a obediência deste
camelo para não nos perdermos, sozinhos, pelos desertos da vida,
mas sermos fiéis a nossos companheiros. Ou, ainda, meditar sobre
as estacas imaginárias que nos amarram. Quais são elas?
Vale a pena continuarmos amarrado, ou seria melhor fugirmos durante
a noite, enquanto os outros dormem? Que Deus nos dê a sabedoria
desta decisão e, se for o caso, a conseqüente coragem para
a aventura.
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