Levantando a voz 4
Frei Neylor J. Tonin
Assuntos variados
1o.) 70 ANOS DO BETINHO: Olá, querido ouvinte, permita-me
lembrar a pessoa carismática e inesquecível, rica e merecedora de todos os
aplausos – aplausos nossos, do Brasil, e de todo o mundo – pois ele era cheio
de humanidade. Permita-me trazer para sua memória a doce figura do BETINHO que,
há pouco, se vivo fosse, estaria completando 70 anos. Infelizmente, morreu
cedo, antes da hora, como gostamos de dizer das pessoas que nos são queridas.
Conheci o BETINHO quando trabalhava para a VOZES e o IBASE
mantinha uma Coleção com esta Editora franciscana de Petrópolis. O IBASE
(Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) foi criação do BETINHO,
junto com Carlos Alberto Afonso e Marcos Arruda. Em 2006, estará completando 25
anos de existência e continua tendo, como bandeira, a radicalização da
democracia e o fortalecimento da cidadania. Em meus encontros com o BETINHO,
sempre me impressionava seus traços de doçura, lucidez e intrepidez. Era
extremamente inteligente, lúcido e intimorato em sua fé. Ao mesmo tempo, era um
gentleman, uma pessoa sempre educada e amiga. Foi ele quem sonhou com um NATAL
SEM FOME para os pobres. Revelava aí sua alma profundamente humana e cristã.
Tinha um coração franciscano. Me disse, no lançamento de suas “Memórias
Improvisadas”: “Não posso aceitar o fato de alguém não ter nada para comer. O
mundo produz comida para 12 bilhões de pessoas e somos apenas 6 bilhões. Onde
está toda esta comida? Por que ela não chega à mesa dos pobres e famintos?
Embora não seja um católico praticante, acho que Deus não pode abençoar uma
terra – a nossa terra, o mundo - que produz tanto, comida e fome, ao mesmo
tempo”.
Assim era BETINHO, uma glória para o Brasil. Não podemos
esquecê-lo. Temos que reverenciá-lo e gravar sua figura na consciência da nossa
gente. Ele tinha “um extraordinário vigor em propor e tomar iniciativas que fizesse,
avançar a cidadania e a democracia entre nós”, afirma Leonardo Boff, amigo e
parceiro dele.
Para BETINHO levanto a voz! Aplaudam-no todos os
brasileiros, homens e mulheres, que acreditam que a mesa de uma família foi
feita para servir comida e alegria e não apenas lágrimas e tristeza.
2o.) Quero também levantar a voz para LEONARDO BOFF, que
perdeu o “Frei” de seu nome, mas não o espírito franciscano de sua alma
interior. O LEONARDO foi meu colega e continua sendo meu amigo. Entramos juntos
para o seminário, ficamos padres no mesmo dia e lutamos, dentro do mesmo
convento, por mais de 25 anos. Neste ano, quando nossa turma completou 40 anos
de padre, convidei o LEONARDO para a solenidade. Ele compareceu, falou
lindamente sobre a vida franciscana e sacerdotal, foi aplaudido calorosamente
pelos ouvintes e emocionou-se às lágrimas. Assim é o nosso querido FREI
LEONARDO BOFF, um dos cinco maiores teólogos do mundo e do nosso tempo. Uma
figura linda de um valor inestimável. Não pode ser pequeno um país capaz de
produzir gênios como FREI LEONARDO e como BETINHO.
Neste mês, ele está lançando, dentro da Coleção “Virtudes
para um outro Mundo Possível”, pela Editora VOZES, o livro HOSPITALIDADE:
DIREITO E DEVER DE TODOS. Na Tradição das Religiões, a Hospitalidade era um
valor religioso. Quem chegasse à porta de um convento e mosteiro deveria ser
recebido como se fosse o próprio Cristo. Infelizmente, nas grandes cidades por
medo e desconfiança, a hospitalidade tornou-se uma virtude quase desconhecida.
Mas é preciso reconquistá-la: afinal ela é direito e dever de todos.
Para o querido amigo e eterno companheiro, autor do lindo
livro HOSPITALIDADE, levanto a voz para aplaudi-lo e para pedir que continue,
com sua alma franciscana, a nos abraçar com sua doçura e a nos brindar com sua
peregrina inteligência
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